Do Uol. Depois de passar fome, Waiãpi é a primeira mulher indígena a virar militar no Bras

Do interior da floresta amazônica, aos 14 anos, ela resolveu ir para a cidade, mendigou e passou fome, aprendeu a ler e foi condecorada com diversas medalhas de literatura. Estudou artes, foi atleta, virou fisioterapeuta e cursa hoje a terceira graduação em saúde. Essa é a trajetória de Silvia Nobre Waiãpi que, aos 35 anos, tornou-se a primeira militar indígena a integrar as Forças Armadas no Brasil, no último dia 3 de fevereiro.

“Eu queria estudar, mas enquanto mulher indígena era muito difícil”, contou ao UOL Notícias. Natural do Estado do Amapá, Silvia nasceu na aldeia da etnia Waiãpi no Parque Indígena do Tumucumaque, extremo norte do país, na fronteira com a Guiana Francesa. Silvia conta que, aos 4 anos, sofreu um grave acidente e ficou hospitalizada por meses na capital Macapá. “Aproveitei para estudar”, afirma.

A índia se tornou mãe aos 13 anos, decidiu abandonar a aldeia e se mudar para o Rio de Janeiro. “Vim sozinha. Não conhecia ninguém, dormi nas ruas por alguns meses. Eu tinha uma pedra, que acreditava que era sagrada, e a vendi para comer. Com aquele dinheiro eu consegui comer uns dois dias. Depois comecei a vender livros de porta em porta”, lembra.

Ainda adolescente, Silvia começou a declamar poesias e diz que foi incentivada a escrever pela Associação Profissional de Poetas do Estado do Rio (APPERJ). Ela resolveu estudar artes e ganhou prêmios por seus poemas: a medalha Cultural Castro Alves, a medalha Monteiro Lobato e também um prêmio de jovem escritora da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul.

Da arte para o esporte

O esporte foi a paixão seguinte da indígena. Disposta a aprender a correr, ela foi motivada por um técnico do clube Vasco da Gama. “Me apaixonei pelo esporte”, disse Silvia, que deixou as artes e direcionou os estudos para a área da saúde e fisioterapia ligada ao esporte.

Aprovada na Marinha e Exército

O contato de Silvia com o mundo militar se deu quando trabalhava como fisioterapeuta e acompanhava um grupo de fuzileiros navais. Resolveu concorrer à carreira de militar e prestou concurso em 2009, quando foi reprovada. Tentou pela segunda vez, no ano seguinte, a Marinha e o Exército.

“Fui aprovada nos dois e escolhi o Exército. A seleção foi dura, fui convocada para fazer prova oral, teve análise de títulos e currículo, depois fiz um teste físico”, afirma.

Retorno para a aldeia

Desde que deixou sua aldeia, Silvia voltou apenas quatro vezes para visitar o povo Waiãpi. A última vez foi há sete anos. “É muito longe e caro. Cada vez que vou lá é uma surpresa. Às vezes a gente se fala por telefone quando eles estão numa outra aldeia de povos amigos, que tenha sinal de telefone.”

Na sua aldeia, nem todos os índios sabem falar português e os mais velhos “preferem não saber o português”.

Hoje, Silvia vive com seus três filhos e uma neta de quatro meses no Rio de Janeiro. Ela casou recentemente com um militar do Exército. Quando veio ao Rio, a índia já era mãe de Ydrish, hoje com 22 anos e estudante de farmácia. Depois, aos 15 anos, Silvia teve Tamudjim, que cursa direito, e, cerca de dois anos depois, teve Yohana, que está começando a estudar relações internacionais.

Nota do Blog: Lembro da Silvia Nobre, logo que voltei pra morar em Macapá. Ela trabalhava na Rádio Difusora e declamava poesia nas programações do Governo Nova da Costa.

  • A antropóloga Dominique Galois está duvidando da história da Silvia. Eu trabalhei com ela na RDM. Mas não sei dizer se ela é mesmo Waiãpi.

  • Nossa que história de vida!
    Não sei se estou enganda… acho que ela tbm trabalhou como atriz…inclusive fez uma participação em uma novela na globo… até participei de uma oficina de TV que ela ministrou lá no Teatro das bacabeiras… isso já faz uns bons anos

  • A Silvia teve atuação em duas minisseries da Globo. uma delas foi A Muralha. Ela também ganhou destaque na revista ISTOÉ GENTE,tão logo apareceu na tela.

  • Alcilene eu, sinceramente, gostaria que essa bela história de superação e conquista fosse verdadeira. Eu conheço a família da Silvia Nobre e garanto a vc que ela não é índia, tampouco, Waiãpi. Ela é Irmã do Sargento Alfredo Nobre e Prima do Sargento Nobre, ambos, da Polícia Militar. A parte verdadeira da história é que ela mora no Rio de Janeiro, e trabalhou na minissérie “A muralha” e na novela “Uga Uga”, ambas, da rede Globo. O Resto eu duvido!!!

    • Eu conheço essa história… a história dos “filhos de criação”… quem não sabe que o velho “Prof. Cachacinha” que subia e descia rios … sempre pegava “crianças pra criar”! Quantos filhos adotivos ele tinha? Sempre soube que eles eram índios… ao total ele criou 3 filhos índios dos quase 15 que ele teve… Ao que me consta 1 é Waiãpi, 1 é Waiana-Apalay o outro eu não sei a etnia. Querendo ou não: Ela é india! A convenção 169/OIT-ONU garante isso… quem somos nós pra ir contra uma convenção internacional?

  • Alguem tem mais informações do sequestro da “menina Waiãpi” dentro da maternidade?
    Quando essa menina crescer e aparecer por ai… se declarando Waiãpi e sendo criada por “outros” pais… metam o cacete nela também!!!

  • ela é minha irmã waiãpi que foi criada na cidade por outra familia.
    mas ela é filha do meu pai Zeremete waiãpi e Pupira waiãpi.
    Eu moro em belém e ela vem aqui na aldeia me visita. moro na aldeia com meus parentes tembé em capitão poço.
    deixem minha irmã em paz.

  • Francisco Ribeiro disse:
    “sinceramente, gostaria que essa bela história de superação e conquista fosse verdadeira.”

    O que é superação para você? Uma pessoa que enfrenta as ruas e o mundo sem dinheiro e consegue o tanto de vitórias que essa moça conseguiu, formando-se em duas faculdades e conseguindo o posto de oficial do exército não é um exemplo de superação? Eu pergunto novamente a vc se conseguiu metade do que ela conseguiu realizar? Vc algum dia deu um prato de comida a ela quando ela passava fome ou pagou uma conta de luz dela?
    Passe bem senhor!

  • CONHEÇO BEM ESTA GUERREIRA POIS TIVE A OPORTUNIDADE DE TRABALHAR EM AÇÃO CONJUNTA NOS JOGOS INDIGENAS REALIZADOS EM PARAGOMINAS, MUITO ATUANTE ENERGICA NO QUE SE REFERE A DEFDES A DE SEUS PARENTES INDIGENAS, ONDE GOZA DE MUITO RESPEITO DIANTE DE SEU POVO. ELA MERECE MUITO MAIS, VALEU SILVIA GUERREIRA.

  • nossa,lendo essa historia de vida quem não a conhece até acredita mesmo, mas eu garanto a vocês ela não é india ela é de Macapá irmã de uma pessoa maravilhosa 0 sargento militar Alfredo Nobre, ela não deveria fazer isso com a familia dela.

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