Carta de Amor e Gratidão a Macapá

*Márcio Augusto Alves – Procurador de Justiça 

Em novembro de 2021 completei 30 anos de atuação no Ministério Público do Amapá. Neste tempo de muita prosperidade pessoal, posso dizer que nesta terra me fiz um profissional que talvez não tivesse tido a mesma oportunidade noutro lugar. Não há como não ser grato por tudo isso!!! Assim, aproveito o tempo em que se comemora o aniversário da cidade de Macapá (264 anos), para dizer o quanto a amo, sou grato e a quero muito bem.

Antes de vir para Macapá e fazer o I Concurso para Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Amapá, em julho do ano de 1991, trabalhava como funcionário/advogado do Banco do Brasil, no Núcleo Jurídico de Marabá/PA, com atuação em todo o sul e sudeste do Estado do Pará (Redenção, Rio Maria, Xinguara, Conceição do Araguaia, Tucuruí, Tailândia, etc).

Após a aprovação no concurso, tomamos posse em 1o/11/1991, no Teatro das Bacabeiras, e imediatamente começamos a “construir” o novo Ministério Público do Estado. Não foi fácil para nenhum dos aprovados, no início. Nossa estrutura institucional era incipiente e precária. Também não havia imóveis em abundância para locação na cidade, por isso, após a posse, passei algum tempo hospedado no Hotel Mercúrio, nos autos das Lojas Marisa, no centro comercial. Costumo dizer que era um hotel de garimpeiro, pois os quartos eram grandes e havia muitas camas disponíveis no ambiente. Se chegasse alguém no hotel, talvez o colocassem no mesmo quarto que você estava hospedado. Por isso loquei todas as camas à disposição, para evitar compartilhar com um desconhecido.

Na época havia o Novotel-Macapá como o melhor hotel da cidade, mas os preços não eram ‘atrativos’ para fins de moradia provisória.
Nosso lazer, naquele tempo, era ir comer camarão na Fazendinha, especialmente no Julião. A estrada até lá era escura – continua do mesmo jeito até hoje – e havia muitos buracos – isso também não mudou nada. Apenas duplicaram a Rodovia.

Comandante Aníbal Barcelos era o governador do Amapá, à época. Tinha apreço e respeito pelas instituições do Estado. Não deixou que nada faltasse não só para o crescimento de nosso Ministério Público, mas de todos os Poderes do Estado. Aliás, olhando os órgãos oficiais, hoje, em pleno ano de 2022, quase todos foram construídos na sua gestão. Fez história nesta terra o Comandante Barcelos! Reconheço que foi muito bom ter vindo para cá!! Tive a oportunidade de retornar para o meu Estado de origem, logo depois de aqui chegar, após aprovação noutros concursos, mais por aqui preferi ficar; e quantos de nós não viemos para este ‘rico torrão’ para fazer história, criar os filhos, ter um trabalho digno, honrado e muito bem remunerado, e aqui se deleitar com o que esta linda cidade tinha e tem de melhor, que é a alma acolhedora e bondosa de seu povo lindo e guerreiro.

Macapá é uma cidade isolada geograficamente, mas tudo isso se compensa com a imensidão do gigante rio Amazonas, bem em frente à capital; e o que não se dizer da natureza exuberante que há por todos os lados: rios, matas, florestas, índios, gente linda, morena e negra, peixe, açaí, farinha, o curiaú e a fazendinha…??? Que encanto tudo isso!!!

Às vezes me pergunto a razão de nosso Amapá e nossa Macapá ainda não terem conseguido descobrir a sua vocação e o seu verdadeiro potencial econômico. Fico imaginando o que leva muitos habitantes daqui a irem até Paris, na França, por exemplo, e de lá postarem fotos nas redes sociais às margens do Rio Sena (que para nós seria quase um igarapé), quando temos em frente à nossa cidade o majestoso rio/mar Amazonas. Você é capaz de imaginar o que os franceses, os alemães e outros povos não fariam em suas cidades, acaso tivessem o privilégio de terem um rio/mar em frente delas???

Nesses 30 anos, muitas coisas mudaram para melhor. A cidade cresceu: shoppings, cinemas, supermercados, restaurantes e sorveterias fazem a festa dos que podem usufruir desses prazeres mundanos, mas creio que poderíamos ter caminhado muito mais à frente, pois nosso povo sofre nos hospitais públicos; nossas ruas carecem de urbanização, saneamento e planejamento, e nossas instituições oficiais públicas, todas bem alojadas, precisam funcionar para os fins a que foram criadas, pois do jeito que estamos, nada andará para o caminho do progresso que todos esperamos que aconteça, para o bem coletivo, e não apenas para os de alguns poucos “privilegiados”.

Nossa cidade e Estado precisam de gestores que realmente os amem, que os tratem com carinho, com respeito, que chamem carinhosamente nossa Macapá de cidade “joia” da Amazônia – como há muito é conhecida – , que a corteje como um homem apaixonado corteja sua amada: com respeito, com devoção e sempre a postos para servi-la e reverenciá-la.
Embora sejamos uma cidade/estado, é no território e nas ruas de Macapá que moramos, andamos, vivemos e convivemos. Foi nesse “rico torrão”, fecundado ao sol do equador, como diz a nossa belíssima canção do Amapá, que muitos de nós conseguimos crescer profissionalmente, educar nossos filhos para terem um porvir que todos, principalmente os mais carentes, sem exceção, também merecem, indistintamente.

Por isso, se cuidarmos com amor de nossa cidade, tal qual usufruímos daquilo que ela nos propiciou pessoal e profissionalmente, a vida das nossas pessoas melhorará e a da nossa cidade também.
Estamos em 2022. As eleições estão às portas, novamente. Se eu fosse candidato a algum cargo eletivo, procuraria ter um olhar diferenciado sobre tudo o que está acontecendo e aconteceu nos últimos anos, procurando fazer de nossa cidade “joia da Amazônia” uma verdadeira home love, e não apenas o nosso temporary office.

Tem muita gente que vem, conquista, esbalda-se, e vai embora procurar outros rumos depois que se“satisfaz”; e tem muitos, hoje, que não estão nem esperando o tempo da saciedade, pois já estão procurando outros caminhos, atrás de outras expectativas de vida.

Precisamos ter estratégias para atrair pessoas e empreendedores que aqui queiram ficar, viver, morar, se apaixonar e amar nossa linda cidade, mas para isso é necessário que tenhamos um olhar transformador, e os futuros gestores precisam ser os condutores e líderes (e não apenas chefes de Poderes), junto com a nossa Câmara Municipal, nossa Assembleia Legislativa e todos nós, sociedade civil, desse processo de metamorfose estrutural do nosso território geográfico.

É lógico que não esperamos que tenhamos um futuro “perfeito”, mas que seja um futuro sem medo, um futuro que nossa cidade e nosso povo aguardam, esperam e acima de tudo merecem, há anos. Eu creio nisso!!!
Feliz aniversário, linda Macapá! Muito obrigado por tudo que você me oportunizou!!! Que Deus possa te conduzir para o caminho da prosperidade de seu povo e do progresso econômico e social de nossa bela e guerreira gente!!!

Márcio Augusto Alves

p.s – As fotos que ilustram esse artigo.

1 – 1995 – Dr Márcio sempre limpava a praça em frente ao Exército e plantou quase todas as árvores de lá.

 

2 – As árvores plantadas por Márcio Augusto Alves

 

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