Caros Candidatos

Por Kiara Guedes

Reza a lenda que eu não me choco com nada, ou quase nada. É lenda! Em ano de eleição, descobri, eu ainda me choco com o despreparo, com a intolerância, ignorância, e principalmente com a arrogância de muitos candidatos. Candidatos esses que afirmam querer representar a “minha” voz. Mas pra que isso aconteça, minha voz exige respeito.

Tendo a acreditar que estamos vivendo a era do “Se nada der certo, viro político”. E pelo que nos é apresentado, viram mesmo. Esses são os despreparados e/ou ignorantes de minha lista. Para os quais minha atenção é mínima – pelo menos enquanto são apenas candidatos -, uma vez que não os reconheço como possíveis “representantes”.  Mas são, infelizmente, dignos de minha comoção quando são eleitos, sinal de que representam muitas vozes, que é obvio, serão desrespeitadas.

E seguindo a lista, os intolerantes/arrogantes. Que podem ser ou não, também, despreparados. Para os quais um pensamento, se não for o deles, é descartado, ou ainda pior, é contra eles. Crêem que sua filosofia ou idéias políticas são as únicas corretas. Geralmente bombardeiam o eleitor com o discurso no qual, a palavra democracia, pasmem, aparece quase como seus próprios sobrenomes. Podem não fazer parte do mesmo partido, mas jogam todos no mesmo time.

É claro que a efetiva democratização dos Estados é diretamente proporcional à capacidade intelectual dos indivíduos. Num pais onde o déficit educacional é maior que qualquer boa vontade política de mudança, presumo que ainda não será agora que poderei dizer “não me choco com nada”… E não será mesmo:

Ao ser perguntada sobre meus candidatos por um político, e dizer que ainda não havia decidido, recebi um sarcástico “em que mundo você vive?”… Mas aprendi que ninguém pode dar o que não tem, e eu tenho educação, sorri e não respondi. Eis que, semanas depois, um outro candidato, me ofende  por “brincar de fazer versinhos” e não falar de política, e que quando faço isso deixo de ser uma mulher inteligente e politizada para me juntar ao restante da corja alienada de nosso Estado. – E antes de qualquer outra consideração, devo dizer que a maior ofensa pra mim, foi o texto pobre e mal redigido em que isso foi dito.

Arrogância pouca é besteira! Até mesmo minha educação me mandou rir. As vezes a política, e aqui também falo da política local, me faz lembrar “Nas dores do Mundo”, em que Schopenhauer afirma que “nem todos os loucos ou burros são fanáticos, mas todos os fanáticos são loucos e burros.” Mas seria mesmo preciso chamar Freud, já que Schopenhauer não fala de causa… Desculpem os mais sérios, mas faço pouco de vocês, nunca levei a sério quem se leva tão a sério assim. Por não confiar, desculpem-me outra vez.

Minha discrição virou alienação política. Ser poeta me tornou burra! Vai ver minha mãe esteja certa quando diz que precisamos ficar atentos pra não perdermos a estação em que os valores trocam de trem.

Pelo que lembro, ainda sou capaz de me orientar politicamente conforme meus próprios interesses. Por um lado, me interesso pela política de meu país, e do outro, não creio na operosidade de instrumentos inoperantes, nem acredito em salvadores de pátrias. E principalmente, não me recuso a raciocinar, decidir e traçar meu próprio projeto de vida. Não compreender o significado disso tudo, bem como o sentido que possa ter, é realmente o conceito de alienação política!

Esse político se referia, talvez, à época em que eu tinha carteira de filiação em partido político, e que até mesmo advoguei para aquele… Meus motivos pessoais não dizem respeito a ninguém, mas é interessante quando alguém nos dá motivos (fortes como os que cito aqui) para nos fazer perder o respeito. E o melhor da vida é mesmo isso: poder fazer escolhas, e saber que amanhã, ou depois de amanhã, minha “voz”, aquela que esse ano todos querem representar, seja pronunciada em outro timbre. Talvez com palavras “filiadas” em versos, afinal, poetas votam, e fazem votar.

Kiara Carrera Guedes

  • Eles não nos respeitam e ainda debocham de nós todos. grande verdade dita aqui. o maior representante de toda essa descrição feita aqui foi a irreverência, a falta de respeito, o desvio do sentido democrático de governar, a desgraça que o amapá passa decorrente do desgoverno que os atuais governantes impuseram ao Estado. será que isso tem jeito? o que faremos do que fizeram em nós!

    • Aharon, vc foi simples e objetivo(a). O político muda a vida das pessoas para melhor ou para pior. A Democracia é um instrumento tão perigoso quanto qualquer outro regime, principalmente quando conduzida por pessoas desprovidas de ética e de moral.

  • Kiara, gostei muito de seu posicionamento. Por mais que eu veja, ainda me impressiona a falta de inteligência, de ética, de humildade, de consciência, etc, entre os políticos do nosso país, em especial aqui no Amapá. Pra quem vem de fora, o que eles fazem aqui choca.

    • Desculpa ai,mas a falta de compromisso dos politicos, CHOCA em qualquer lugar deste Brasil.Oque acontece aqui não é diferente nem nas grandes ou pequenas cidades e/ou capitais deste País.Isto é fato.

  • Adorei o teu texto. Espero que os destintários tenham entendido o recado. A propósito, adoro as tuas poesias e te admiro muito. Parabéns pelo posicionamento coerente e sensato.

  • A democracia minha cara é o braço direito do capitalismo que exclui e mata.
    E o que é a política? será que ela serve apenas para organizar nossos contratos sociais?

  • Kiara,não a conheço(talvez por estar aqui passando somente uma temporada à serviço),mas amei o seu texto e como qualquer cidadão vc é digna de respeito.Vou procurar ler suas poesias e conhecê-la melhor através destas.Mas já vejo que vc é do bem e pessoa bacana.
    Discordo quando alguém diz que no Amapá a politica e os politicos são piores que qualquer outro lugar do País.É tudo igual e pior em qualquer lugar deste Brasil.Maioria dos politicos entram p/se dar bem e desgraçar com a vida dos cidadãos,os mesmos que de boa fé confiam seus votos à eles.O compromisso deles é com eles e ponto.A politica é o emprego mais fácil e cabivel p/quem não quer arregaçar as mangas e trabalhar.Hj os profissionais(médicos,advogados,professores,cantores,artistas em geral,etc.),ou mesmo os que não tem profissão alguma,abandonam tudo p/conquistar uma vaga em qualquer campo da politica.E ai oque se vê é esse desatre geral.

  • Essa foi uma direta. Na cara do pessoal da campanha do Camilo, do próprio e da família inteira. Aprendam manés!

    • Gente que faz esse tipo de comentário é um analfabeto político funcional e fala o que é cômodo pra satisfazer o cargo que possui ou deseja ter.

  • Li de manha bem cedo aqui na França. Mas como vou todo dia a um curso de croquis numa cidade proxima de onde moro e ja estava em “cima da hora”, adiei meu comentario para mais tarde. Tens razão! Nossas vozes e nossos destinos são muito importantes para serem representados por gente desse gabarito. Para esse tipo, fazer poesia incomoda; fazer arte incomoda; fazer musica incomoda. Sera que foi por isso que deixaram ao Deus dara a Escola de Arte Candido Portinari, a Escola de Musica Walkiria Lima, o Museu Sacaca, o nosso Zoologico?? Eh Kiara, a arte, a poesia, a leitura incomodam e nos, que tivemos a garra de buscar isso por nos mesmas, sabemos porque. Porque arte, poesia, leitura abrem os horizontes e desalienam as pessoas. Mas, se tudo isso (arte, poesia, leitura, musica, etc) continuar a ser negado às nossas crianças e aos nossos jovens, continuaremos a ter eleitores que votarao em politicos desse tipo, infelizmente. Belo teu texto.

  • Gosto de política e poesia. A primeira porque dela depende toda sorte de organização social, portanto, é de fundamental importância suas nuances(ressalvadas os canalhas que desvirtuam seus propósitos em benefício próprio). A segunda nos dá o alento ao possibilitar a construção da utopia redentora, fraternal, amorosa sem precisarmos definir qual o lado do rio é mais lindo.

  • muito bem Kiara, adorei. vc sempre me surpreende positivamente. parabéns!um forte abraço.
    Dorinaldo Malafaia.

  • Cristalina
    Operaria das palavras
    Demoacrática
    “…ainda sou capaz de me orientar politicamente conforme meus próprios interesses.”
    Honesta
    Translúcida,
    Independente,
    Mãe.

    Parabéns Sra. Kiara

  • Sou cantor a quase 40 anos participei uma vez do Programa De pai Pra Filho com esses dois icones o mestre Nonato e meu particular amigo Venilton leal em uma homenagem ao Roberto Carlos. enquanto no Brasil e aqui em Belém se valoriza a musica do Nonato ai em macapá a Tv Tucuju joga no lixo sua biografia que tanto pregaram ao longo desse anos. Agora uma pergunta sera que o Senador Gilvan sabe da inexperiencia desse Rafael Borges porra isto é uma sacanagem, minha solidariedade aos dois grandes nomes da musica amapaense e a todos que já se apresentaram neste grande programa….

  • Kiara Carrera (prefiro assim pela aliteração; parece um grito poético de Kung Fu), ao que me parece você atira no escuro, mira num alvo e pretende acertar nalguma mosca a esmo. É mais prudente dar nome aos bois, antes que seu trem não só perca a estação, mas possa iminente descarrilar sem que você saiba dos valores da permuta. Ademais, seu texto pode se tornar fumacinha de trem, volátil. Se você espera que algum “candidato” vista a carapuça, esqueça; em política luva de pelica não faz nem cosquinhas. A porrada tem que ser certeira e contundente, do contrário você é quem pode parecer evasiva e pusilânime, especialmente para o leitor. Afinal a quem se destina as suas críticas? – que mal eu pergunte.

  • Eu adorei o texto e acho que a beleza dele está justamente em criar essa crítica genérica que cabe invariavelmente na maioria dos políticos do mundo! Parabéns, Kiarinha.

    • Fiz uma pergunta para a Kiara, e o abelhudo do Yashá acha que tem procuração para responder por ela. Crítica genérica é? Pois isso me parece com o episódio bíblico “quem não tem pecado, que atire a primeira pedra”; tão evocatório quanto o político corrupto ficha-suja, na musiquinha “se gritar pega ladrão; não fica um, meu irmão”. Bom, para quem acha que o Saramago tinha muitos pecados e pouca pontuação, que há com o Yashá para ele está assim tão álacre e canastrão? Kiara, você avisa ao flamenguista Yashá que quarta-feira (14-07) tem Flamengo e Botafogo no Maracanã. Meu Bota está tinindo. O Flamengo tem um bom time, mas só goleiro é que mata…

      • Desculpem-me, equivoquei-me e postei o texto trocado, o certo é este:

        Fiz uma pergunta para a Kiara, e o abelhudo do Yashá acha que tem procuração para responder por ela. Crítica genérica é? Pois isso me parece com o episódio bíblico “quem não tem pecado, que atire a primeira pedra”; tão evocatório quanto o político corrupto ficha-suja, ao entoar a musiquinha “se gritar, pega ladrão; não fica um, meu irmão”. Bom, para quem acha que o Saramago tinha muitos pecados e pouca pontuação, o Yashá está muito álacre e canastrão pro meu gosto. Kiara, o coitado do Yashá tem um confronto 4ª-feira comigo no Maracanã. Meu Bota está tinindo. O Flamengo dele tem um bom time, mas só o goleiro é que mata…

    • Eu continuo a achar que o texto da Kiara – posto que interessante – carece de objetividade. Não se deve complicar o que é simples; obscurecer o que é claro; e generalizar o que é excepcional. Bandido há em todo o mundo; mas nem todo o mundo é bandido, se me permite este trocadilho pífio, convencional e desnecessário…

  • Pela primeira vez vou usar um pseudônimo, não para esconder-me, mas sim para mostrar meu encantamento com seu certeiro texto. Você foi ESPETACULAR!“Em que mundo você vive?” Ainda bem que o nosso mundo é diferente do mundo de quem pergunta. “Brincar de fazer versinhos”? Ainda bem que ainda “brincamos”. Que arrogância tem “esse tal picareta”!Concordo plenamente com você, e se declinar o nome (se for possível)perdeu meu possível voto, afinal quem não reconhece as diversas formas de linguagem e, portanto, de expressão não pode ser representante de ninguém.

  • A sua mana, Alcinéa Cavalcante, resolveu me barrar no baile. Na caixa de comentários do blog dela eu não entro. E ainda se utiliza do chavão “liberdade de expressão” como palavra de ordem do seu jornalismo capenga. Eu, heim, rosa! Eu até entendo que se recuse a publicar minhas crônicas, quando não lhe convém. Mas proibir terminantemente minha participação na sala de comentários de seu blog é uma medida castradora, antidemocrática e provinciana. Em seu último post ela se diverte com a possibilidade de o Amapá trocar de nome para “Província Góes”, e – claro! – não deixa de insinuar que a família Capiberibe concorre com a mesma oligarquia. Fiz o comentário que vai abaixo, e ela deletou como sempre:
    “O que é o nome? O nome não é corpo, não é rosto; nem boca, nem pé, nem… A flor que chamamos rosa, com outro nome não teria o mesmo perfume? Assim se o João, a Janete e o Camilo se chamassem Cavalcante, eu insistiria em votar neles, porque o que faz o Homem não é certamente o nome, mas sua dignidade. Ainda que meu mundo fosse provinciano e eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução…”

      • Há quem confunda gentileza com bajulação. Eu tenho modos de acordo como toca a valsa. Permita-me por obséquio um apartezinho? O que torna desagradável os meus comentários são os palavrões? Hitler não usava palavrões (não sei se era porque no alemão não existe palavrões), era polido e cavalheiro. Sou acometido de uma improficiência auditiva, e às vezes eu falo alto pra caralho, e há quem confunda com arrogância; ao passo que o terrorista Bin Laden fala bem baixinho, quase sussurrando. Tomemos termos, minha cara Alcilene! O mimo de uma pessoa não ilide o fato de ela ser censora. E pede pra sua irmã largar de pavulagem. Bossalidade é a tolice metida à besta.

    • [abelhudo mode on] Será mesmo o caso de usar o santo nome de Bill em vão? Recorrer a passagens de “Romeu e Julieta” pra traçar paralelos entre Góes e Capiberibe?! O velho bardo deve estar se revirando na cova… E quem seria o “bom Mercucio”? Lucas Barreto?! Na boa, mas na boa mesmo, acho que aí exagerou na mão… [abelhudo mode off]

      • Acho que o Yashá viajou na maionese. Perdoe-me a santa ignorância, mas quem é Bill? Alusão que faço dos patronímicos Góes e Capiberibe é o mesmo que Romeu questiona Julieta de seus sobrenomes shakespearianos Montéquio e Capulleto. Se Shakespeare se revirou na cova, paciência. Há uma discrepância política abissal entre os Capiberibe e os demais. Eu particularmente penso que os Capi estão acima das camadas de turbulência, não há nem comparação. Se criarem a “Província Góes”, já não era sem tempo, pois o que estamos mergulhados em provincianismo barato eu já perdi a conta. E que em sua inauguração tenha fogos (como fazem com a estréia dos semáforos) e bandinha de música. A propósito, já foi fincada a pedra fundamental da nova província, é no Bairro Congóes.

          • Por um instante pensei que fosse o ecologicamente incorreto Búfalo Bill, um canalha como o ator americano John Waine, te juro. Além da tua intimidade, tu ainda chamas eruditamente o poeta de bardo, chique. Vate catar, Yashá, antes que eu me esqueça…

          • Baby, o que é “Rá”? É um ralho, um gemido? Ou uma palavra incompleta (tipo: rábia, em latim que significa raiva) que ficou presa na garganta e só escapou esse grunhido?

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