Bertha Becker Partiu

Por Marco Antonio Chagas. Doutor em Desenvolvimento Sustentável e Gestão Ambiental

Nos cenários de Bertha Becker para Amazônia o Amapá é uma região indefinida entre o romantismo preservacionista e a realidade perversa da fronteira a ser desbravada. É possível que estejamos numa fase de transição que tanto pode levar a um desenvolvimento mais justo e includente ou a uma nova Rondônia.

Uma das maiores qualidades de Bertha Becker foi sua capacidade de iluminar mentes perdidas diante da falta de leituras criativas sobre a Amazônia e isso teve forte influência na formação intelectual de várias gerações, na qual me incluo. De Karl Polanyi e suas teorias sociais sobre “A Grande Transformação”, as teorias de Jane Jacobs sobre as cidades como motores do crescimento econômico e de Peter Taylor com respeito às relações entre cidades e destas com os lugares centrais, Bertha Becker não tinha limites intelectuais diante de conhecimentos rivais quando o assunto era o desenvolvimento amazônico.

Mais recentemente tive a oportunidade de assistir a palestra de Bertha na Conferência RIO+20 e enquanto a maioria dos “notáveis” se alinhava ao discurso vazio da economia verde sob o apelo da ONU, Bertha fez o contraponto ao associar a economia verde a uma estratégia pouco criativa de camuflagem da velha teoria da “mercantilização da natureza”.

Em uma de suas inúmeras vindas ao Amapá tive o privilégio de conhecer o lado intelectual irônico de Bertha. Apreciadora de um bom destilado escocês, Bertha virou para uma “autoridade” do Poder Público de plantão e mandou: “Vocês amapaenses ainda não perceberam que o colonialismo acabou e vivem revivendo esses laços com esses franceses que sempre exploraram suas colônias de forma perversa e unilateral”. Não esqueci mais essa frase e hoje estou convencido que Bertha tinha razão.

À mestra com carinho!

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