Amapá: do Porto á Mesa

* Marco Chagas. Geólogo. Professor do Curso de Ciências Ambientais da Unifap. Doutor em Gestão Ambiental

A condição portuária do Amapá não necessariamente significa vantagem econômica competitiva. Barreiras naturais decorrentes da hidrodinâmica flúvio-marinha da foz do Amazonas, precariedade da logística portuária e falta de segurança institucional representam riscos a investimentos privados.

Os documentos do Governo Federal que tratam dos cenários estratégicos de logística para transporte no País não inserem o Amapá como opção portuária para desafogar os portos de Santos (SP), Tubarão (ES) e Paranaguá (PR). A opção é o Porto de Vila do Conde, em Barcarena, Pará. Nesse aspecto, cabe ponderar sobre o fato desses documentos, que deveriam propor cenários de desenvolvimento para o País, tratar-se de peças técnicas adaptadas a decisões políticas quase sempre deslocadas da razão.

As empresas Fiagril e Agrosoja se associaram para fundar a CIANPORT – Companhia Norte de Navegação e Portos, empresa amapaense autorizada pela ANTAQ – Agência Nacional de Transporte Aquaviário a instalar um terminal portuário na Ilha de Santana, no Amapá. A iniciativa da CIANPORT pode inserir o Amapá na rota dos portos competitivos desse País.

Os investimentos da CIANPORT no Amapá, além da construção de um terminal portuário, prevê uma unidade industrial de beneficiamento de grãos. Teóricos do desenvolvimento destacam a industrialização como processo capaz de promover benefícios em cadeias, o que não acontece com a exportação de matéria-prima sem beneficiamento local.

A CIANPORT estima escoar pelo Amapá cerca de 5 milhões de toneladas de grãos vindos de Mato Grosso pela BR-163 até o porto de Itaituba/PA e daí movimentar a carga pelo Amazonas até o terminal de Santana, onde parte será exportada e parte processada localmente, com produção de derivados de grãos (óleo e farelo).

Este é um projeto que o Amapá deve tratar com carinho, pois além do baixo impacto ambiental, existem as linkagens econômicas diretas pelo beneficiamento local de grãos e consequentes incentivos a criação de aves, porcos, peixes e outros produtos fontes de proteína animal, que poderão se beneficiar pela compra de ração animal a custo de porto.

Os benefícios indiretos estão relacionados à comprovação da viabilidade econômica do Porto de Santana, abrindo frentes de investimentos e negócios relacionados à logística portuária.

A produção agrícola do País está à procura de alternativas de escoamento e essa alternativa passa pelo Norte. O Governo Federal autorizou recentemente a instalação de 50 Terminais de Uso Privativo no País, incluindo o terminal marítimo da empresa CIANPORT no município de Santana.

O Governo do Amapá tem mais uma oportunidade em “pensar o Amapá” sem o ranço leninista que alimenta os teóricos do desenvolvimento desigual e, agora, mais amadurecidos quando no poder, percebam que emprego e renda integram a base da sustentabilidade, incluindo a política.

Marco-TPUP Santana

  • Por que o Professor Marcos defende o funcionamento de um Porto Privado da Companhia CIANPORT no Amapá? Por que não escoar a soja pelo atual Porto de Santana ou então numa Parceria Público-Privada? O que o Amapá ganha com o escoamento da soja por Santana? ser um mero entreposto na circulação da soja? Tudo isso por uma promessa de beneficiamento da soja em “solo amapaense”? É bom refletirmos as vantagens/desvantagens de sairmos do modelo “Porto Público” para o “porto privado”…

    • Não somente Santana ganha com a viabilidade de um porto privativo, mais o próprio estado e o pais, a ciaport é promeça de desenvolvimento que nosso município muito necessita, a parte exportada será efetivada pelo porto das docas de Santana e a outra parte será processada localmente, incentivando a economia local. Temos uma viabilidade de navegação muito superior que outros estados brasileiros por estarmos mais próximos da Europa, este motivo faz com que seja economicamente rentável o escoamento de grãos pelas docas do município de Santana.

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