Amapá: desemprego é cenário trágico

*Marco Chagas. Professor universitário e Doutor em Gestão Ambiental.

A divulgação pelo IBGE da taxa de desemprego do Amapá em 18,8%, a maior entre as Unidades da Federação, tem significados que extrapolam as alternativas dos “iluministas do Século 21”. O primeiro é a relação “desemprego e violência”. Vou apelar: – O que você faria se estivesse desempregado, chegasse em casa e visse seus filhos chorando com fome? Essa é a realidade do Amapá e as estatísticas da violência estão aí para comprovar que existe uma linha tênue entre o desemprego e a violência.

O segundo significado é a velha política do “quanto pior melhor” diante das eleições que se aproximam. Recebi vários “whatsapps orgasmáticos” com o gráfico do desemprego do Amapá. Isso pressupõe que o milagre se aproxima e seremos felizes para sempre. Vamos voltar a ver aquela cena ridícula de político com o polegar para cima dançando Marabaixo.

O terceiro significado são as alternativas das ausências. Por alternativas das ausências denomino o mito do desenvolvimento por imposição de uma única forma de racionalidade de alternativa vinculada ao grande capital. Mineração, hidrelétricas, petróleo, soja, porto, tudo isso, sem dúvida, gera crescimento, mas desenvolvimento com sustentabilidade predispõe equidade de oportunidades.

A mão-de-obra para trabalhar nas hidrelétricas Ferreira Gomes e Cachoeira Caldeirão (construção de estradas, alojamentos, canteiros, residências dos trabalhadores, barragens, estruturas da usina, montagem de equipamentos e outras atividades) foi quantificada nos estudos ambientais em 5.000 postos de trabalho diretos por um período de quatro anos de construção. É possível que esses empregos tenham sido gerados, mas as rendas aferidas passaram a margem das economias dos municípios de Ferreira Gomes e Porto Grande.

Outro exemplo pode ser aferido a partir da geração de emprego divulgado pelo agronegócio no Amapá. Segundo dados da Aprosoja, o setor tem capacidade de gerar 32.000 empregos diretos. Cabe ao Governo do Amapá desdobar referida informação, qualificar as categorias de trabalhadores, incluir os pequenos e médios produtores na cadeia e monitorar os resultados.

Outro significado refere-se ao papel das Universidades. No caso da UNIFAP, a sua recente expansão, o que é positivo para o Amapá, trouxe também certo distanciamento dos problemas da sociedade ou mesmo do debate das alternativas. Isso me angustia como professor da instituição.

O fenômeno do desemprego, da violência e das alternativas das ausências também está associado a outro fenômeno que começa a contagiar minha geração: – Adeus, Amapá!

 

  • O mesmo cenário será comentado daqui à mais quatro anos, porque nesse ano não se faz mais nada , somente politica, e tem gente querendo mais quatro anos. Veremos quantos morrerão de fome, daqui pra frente.

  • Muitos podem achar que estou confundindo alhos com bugalhos, mas vou postar a seguir dois comentários que fiz em duas situações distintas.
    “Falta de oportunidades. Essa é a realidade de nosso estado sem perspectivas de mudanças econômicas, com um governo apático e acéfalo que se vale da mídia com propaganda politiqueira apenas para obter voto. Triste mas real. (Escrito em “QUE VERGONHA”)”
    “Prefeitura limpa e o povo suja. Parece até brincadeira, mas é a realidade de uma cidade que inchou desordenadamente através do fluxo migratório de ilhéus e outros brasileiros sem educação e sem conhecimento de convivência em comunidade. Verdadeiros primatas sem condições de viver em sociedade.(PREFEITURA LIMPA E O POVO SUJA)”
    São duas pequenas postagens aparentemente sem conexão entre si. Mas tem tudo a ver.
    Um povo incapaz de organizar seu ambiente de vida, que vive como nos primórdios dos tempos. E mais, com gestores e políticos oriundos da mesma cepa, que caminhos se poderia construir para esse Estado? Dias piores virão. Mais mentiras e engôdos. Essa é a sina desse torrão.

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