A Rio+20 e a Amazônia

Por Marco Antonio Chagas, doutor em desenvolvimento socioambiental, professor da UNIFAP/Ciências Ambientais

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a ser realizada de 04 a 06 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro (Rio+20), foi convocada para pactuar um novo desafio: a economia verde ou “green economy”. Para a Rio+20 não se tornar um fracasso, a ONU enfrenta um dilema: como impor o decrescimento aos países ricos e poluidores para permitir uma transição para uma economia verde mais justa e sustentável sem sacrificar os países pobres?

A princípio, os países ricos não estão dispostos a reduzir o consumo, mas sinalizam positivamente para práticas sustentáveis. Entretanto, isso não é suficiente. Os países ricos terão que assumir o compromisso em estacionar o crescimento ou mesmo decrescer. Caso contrário, o sacrifício pelo desenvolvimento sustentável cairá nas costas dos países pobres sobre o novo discurso da “economia verde”.

Para o Governo Federal, que não é capaz de firmar políticas integradas de sustentabilidade para o País, a Rio+20 é mais uma agenda que se soma às Olimpíadas e à Copa do Mundo para afirmar ao planeta que o “Brasil é o cara!”

Pela ausência de resultados que comprovem avanços 20 anos depois da ECO 92, o discurso do desenvolvimento sustentável começou a ser apropriado pelo Governo na forma de ações demagógicas, como o pagamento de R$300 ao pobre pela conservação da natureza em detrimento de políticas públicas que garantam o acesso aos direitos básicos para uma vida decente, como a saúde e a educação.

Aos estados da Amazônia não é recomendável se alinhar ao “quase nada” do Governo Federal e sim construir democraticamente uma Agenda para o Desenvolvimento Sustentável da região que possa ser pactuada na Rio+20 sob os auspícios da comunidade internacional. Sob os holofotes da “World News” quem sabe o Governo Federal não se alinha aos estados e passe a considerar a Amazônia como integrante da nação.

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