10 Anos do Big Park (Parte 2)*

(Marco Antonio Chagas é doutor em desenvolvimento socioambiental pelo NAEA/UFPA e professor da UNIFAP/Curso de Ciências Ambientais).

Imagine três milhões de pessoas visitando anualmente o Amapá para conhecer o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque – PNMT. Imagine você de férias com sua família percorrendo estradas-parque e cruzando os belíssimos campos e florestas do Amapá até chegar a determinadas áreas do parque, onde existiriam hotéis ecológicos ou locais planejados para acampamento (campis), com oferta de diversas alternativas de lazer (sobrevoos, trilhas, pesca esportiva, mergulho, canoagem, rafting, observação de aves, meditação, etc.).

Isso é o que acontece em muitos parques do mundo. Isso é um parque implantado. Alguns especialistas não acreditam que isso possa acontecer no PNMT, pois não temos cultura em manejo de parques. Isso é verdade, mas não há cultura que não possa ser ensinada e praticada. O problema é que não há políticas públicas neste sentido, mesmo sendo o Amapá um Estado-Parque.

Estado-Parque é uma categoria de ordenamento territorial definida pela existência de um mosaico de áreas protegidas, de diferentes categorias de manejo, legalmente instituídas pelo Poder Público, com finalidade de conservação e uso sustentável dos recursos naturais, em benefício das pessoas e indutora de políticas de desenvolvimento local. A condição de Estado-Parque é de oportunidades e não de segregação.

Iniciamos um trabalho educativo sobre áreas protegidas na UNIFAP com nossos alunos de Ciências Ambientais e temos recebido apoio do ICMBio em visitas as áreas protegidas, estágios, palestras, etc. Estamos trabalhando na UNIFAP numa proposição de um mestrado profissional em gestão ambiental e sustentabilidade tendo como um dos focos as áreas protegidas. A parceria com o ICMBio é determinante para que o curso seja inovador e possibilite a formação de gestores para as áreas protegidas. Outras experiências inovadoras estão em curso entre a UNIFAP e o ICMBio. Entretanto, isto é pouco para um Estado-Parque.

O bloco de áreas protegidas que envolve o PNMT, a RDS do Rio Iratapuru e a Estação Ecológica do Jari abriga atrativos naturais e culturais que podem gerar diversas alternativas de manejo, inclusive um tipo de ecoturismo diferenciado e diversificado inexistente em qualquer outro parque do planeta. Isso poderá torná-lo competitivo no mercado mundial de parques (os globalocêntricos refutam esta hipótese). Este é apenas um exemplo!

Por hora a gestão das áreas protegidas do Amapá é unidirecional e sem foco em negócios sustentáveis, mas parece que existem esforços institucionais quanto ao uso sustentável da Floresta Estadual do Amapá. Sobre este aspecto sugiro a leitura do artigo “É pau, é pedra”, escrito por Roberto Waack, presidente da empresa Amata e membro do conselho internacional do Forest Stewardship Council – FSC, disponível em http://pagina22.com.br/index.php/2012/07/paupedra/.

Os globalocêntricos, reunidos no último Congresso Mundial de Parques, realizado em 2003, na cidade de Durban, África do Sul, pactuaram o desafio em gerenciar os parques para além das fronteiras e que novos paradigmas para a conservação da biodiversidade são necessários em complementação a visão globalocêntrica. A fronteira do PNMT é o Estado do Amapá e nesses 10 anos de sua existência os novos paradigmas ainda são utopias de uma realidade distante, mas possível.

* O Big Park completa 10 anos em 22/08/2012.

(Marco Antonio Chagas é doutor em desenvolvimento socioambiental pelo NAEA/UFPA e professor da UNIFAP/Curso de Ciências Ambientais).

  • Lamentavel também não termos regulamentado e em funcionamento o Parque Zoobotânico (municipal) que, na minha infância, funcionava para passeios da escola no Dia da Criança, do Estudante.
    Conhecer a fauna e flora da nossa região é uma maravilha, ainda mais para a criança, que volta encantada por ter conehcido a onça, o gavião, o jacaré…enfim, a ausência de vontade política e de competência é muito grande neste Estado.

  • Professor, Permita-me uma suposição. Há 10 (dez) possuimos esse santuário intocável. Supondo que quando da “criação” alguns municípes, não só do entorno, possuissem 12 (doze) anos. Pra essa geração não criamos oportunidade nenhuma de trabalho e renda. E assim, continuamos a não propiciar absolutamente nada às gerações futuras, a não ser, aos que residem na capital e proximidades,somente o ingresso no serviço público.Não vejo vantagem nenhuma nisso: colocar a vida das pessoas como algo menos importante. Devemos sim, procurar a conservação ambiental, mas em prol da sociedade local; minimizar ao máximo as externalidades ocasionadas pelas possíveis atividades econômicas; enfim fazer valer em sua plenitude o “desenvolvimento sustentável”, mas, sem utopias, posto que impacto zero não existe.O Amapá está engessado e a população via representantes tem que romper essas amarras do desenvolvimento. O Amapá a continuar esse modelo,dentro da realidade nacional, está fadado ao fracasso, no tocante a desenvolvimento. Que Estado brasileiro “cunhou” esse modelo de desenvolvimento “via parque”? Onde está esse “mundo real” que não consigo enxergar?Enfim, repito a pergunta: qual o custo de oportunidade disso pro Amapá, ao abdicar de seus recursos naturais e/ou vocações criativas do agronegócio e abraçar o “surrealismo”. Att Josenildo Mendes de Sousa

    • Disse quase tudo, caro mestre.
      Nós somos um estado sem futuro, condenados a um crescimento vegetativo, apenas.
      Fomos moeda de troca, ao longo dos anos, quando convinha ao governo federal aplacar a ira dos estgrangeiros por mais unidades de conservação. Aí ficamos com menos de 6%(seis por cento) de área produtiva, que não é grande coisa. E diga-se de passagem metade dessas terras são da Amcel, que nada produz para nós, apenas para eles. E não sou eu quem diz, é a Embrapa Monitoramento por Satélite, desde 2008.

  • O bloco de áreas protegidas que envolve o PNMT, a RDS do Rio Iratapuru e a Estação Ecológica do Jari abriga atrativos naturais e culturais que podem gerar diversas alternativas de manejo, inclusive um tipo de ecoturismo diferenciado e diversificado inexistente em qualquer outro parque do planeta. Isso poderá torná-lo competitivo no mercado mundial de parques (os globalocêntricos refutam esta hipótese). Este é apenas um exemplo!

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