Bonfim Salgado

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Antes de mais nada, gostaria de esclarecer que não tenho, nunca tive e nunca pedi procuração para defender o governo do Estado do Amapá. Apenas, por absoluta falta de tempo para entrar em maiores detalhes, igualmente é interessante frisar que conheço a máquina administrativa por dentro, sabendo muito bem de suas complicadíssimas engrenagens e manhas. Estive em cargos de confiança nos governos Jorge Nova da Costa, Gilton Garcia, João Alberto Capiberibe e Waldez Góes, mais recentemente,
Mas, vejamos a situação. O governador Camilo Capiberibe, acaba de completar apenas 60 dias de efetivo mandato. Esta semana, começou o processo – normal e rotineiro de todo governante que se preza – visitando municípios. Elegeu Santana em primeiro lugar e lá esteve, visitando o prefeito Antonio Nogueira e algumas obras do direto interesse do Estado. Segundo consta, foi bem recebido pelos políticos locais e saiu disposto a encetar as parcerias e convênios que devem animar Santana e injetar oxigênio em sua economia.
Quanto ao governo em geral – secretarias e demais repartições – pode-se notar aquele tipo de hesitação administrativa, mais que normal, de resto apanágio de qualquer nova administração. Os titulares dos cargos de primeiro escalão, sempre realizam suas auditorias, ajustando as equipes às novas diretrizes e ao planejamento das metas de trabalho. E isso não é processo que se faça e muito menos conclua em apenas 60 dias. Basta considerar o status quo do Estado, após os vendavais que marcaram o final dos governos Waldez Góes e Pedro Paulo, destacando-se os descalabros financeiros, compadrios suspeitos nas licitações e outros ilícitos – ainda sob investigação – que culminaram na Operação Mãos Limpas da Polícia Federal.
Razão porque, sob o ponto de vista da ética jornalística e da coerência nas atitudes – a bem da verdade e da justiça – não á aceitável que a imprensa do Amapá, sob rufar de tambores, venha promovendo ataques mais que explícitos ao governo de Camilo Capiberibe. De repente, começaram a ver na figura do mandatário estadual os fantasmas, defeitos e omissões que essa mesma imprensa intencionalmente ignorou nos governantes passados. Esquecem também os donos de jornais, rádios e televisões que o Amapá – pelas ações erradas e a incúria interesseira e corrupta de muitos – literalmente afundou em dívidas e tem comprometido o seu futuro, quando menos, pelos próximos dez anos.
Camilo Capiberibe – e ele sabe muito bem dessa verdade – não possui nenhuma varinha de condão, nem pretende fugir de sua linha programática e de seus objetivos, aí incluso as promessas de campanha que nem teve tempo hábil para cumprir. À ele, por uma questão de absoluta justiça, deve ser dado pela imprensa, pelos nossos políticos, instituições e cidadania esclarecida, um crédito de confiança. Precisamos torcer, isso sim, para que as coisas dêem certo. Para que setores como a Saúde, a Educação e a Segurança Pública, sejam prioritários e recebam as atenções e as melhorias que a comunidade em geral aguarda.
Ora, senhores. Não se trata de abdicar da crítica, nem de fazer inúteis exercícios de lambe-tapetes palacianos. Quando o governo acertar, colaboremos com o nosso incentivo. Quando errar, façamos os nossos editoriais e artigos, mas não de maneira covarde e desleal e num estilo que não engrandece ninguém – e nem ajuda em rigorosamente nada o Estado do Amapá.