Por Marco Chagas – Mestre em Desenvolvimento Sustentável e Doutor em Gestão Ambiental

O caos virou teoria científica e pode ser aplicado em várias situações da vida, desde a organização de um sistema de Governo diante de uma crise a um simples jogo de baralho quando os participantes assumem que o jogo está péssimo para todos e acordam pelo “parol”.

A Teoria do Caos afirma que a evolução de um sistema dinâmico depende crucialmente das suas condições iniciais. Ou seja, tudo que entra no sistema responde pela qualidade das saídas. “Se entra lixo, sai lixo”, num exemplo exagerado.

A Teoria do Caos também pode ajudar a entende a sustentabilidade dos sistemas, pois a todo momento os sistemas estão sofrendo perturbações e tendendo a ajustes que podem melhorar suas condições iniciais, ou então conduzi-los a condição de baixa energia, quando então o sistema entra em colapso podendo atingir a morte.

Os sistemas complexos, como os governos, usam a estrutura e a organização como mecanismos de ação. A estrutura é como as peças de um quebra-cabeça que vão se ajustando ao sistema na medida em que as tentativas de montá-las são feitas. Em situação de caos as tentativas devem ser reduzidas em algumas peças, que são peças essenciais para a organização do sistema.

Às condições iniciais que determinam o funcionamento do sistema denomina-se “organização”. Sem organização, a estrutura do sistema não funciona e o caos se mantém, podendo chegar ao colapso e à morte.

Aplicada ao Governo, a estrutura pode ser representada pela “caixinhas” que tanto são disputadas pelos políticos, muitos deles sem habilidades para montar um simples quebra-cabeça de 8 peças.

Quanto à organização, essa é a atividade mais exigente dos sistemas dinâmicos em caos, pois exige conhecimento e amor. Conhecimento enquanto sabedoria para entender que as certezas não são provas da verdade diante de problemas que devem ser resolvidos juntamente com os outros.

O Amor no sentido da aceitação do outro junto a nós na convivência das diferenças, que é o fundamento do fenômeno social, sem o qual não há socialização, e sem esta não há sociedade.