João Silva

A partida Flamengo e Grêmio, que pode decidir o Campeonato Brasileiro domingo que vem, no Maracanã, estar sob suspeita por causa de uma daquelas coincidências que um dirigente sério gostaria que passasse longe dos estádios, mas que são inevitáveis!

A pergunta e a seguinte: por causa da rivalidade com o Internacional, o Grêmio tem direito de escalar um time reserva ou quase reserva para enfrentar o Flamengo? Eu acho que não.

O presidente do Grêmio disse que ninguém tem direito de escalar o Grêmio a não ser o próprio Grêmio. Tudo bem, também acho que nenhum colorado, nenhum flamenguista ou palmeirense pode escalar o Grêmio que vai enfrentar o Flamengo.

Mas o Grêmio não pode, numa hora dessas, tirar de campo seus melhores jogadores para não colaborar com a possibilidade de uma vitória diante do Flamengo, o que poderia dar o título do Campeonato Brasileiro ao Internacional, seu arquirrival de Porto Alegre, que pega o Santo André em casa.

Isso é mais grave que a tal “mala branca”, para não falar da mala preta – uma oferecida para ganhar, outra para perder. Por isso acho que a CBF ou o Ministério Público Federal, já que se trata de uma disputa de âmbito nacional, poderia intervir, obrigando o Grêmio a escalar seu time titular e mais: jogar com seriedade, com respeito ao torcedor.

O futebol profissional é um negócio lucrativo, os jogadores ganham bem, os técnicos mais ainda, os clubes faturam alto com a transferência de suas estrelas para clubes milionários da Europa, e a rivalidade, afinal de contas, não pode alimentar a manipulação de resultados. Isso é inaceitável.

No mais a decisão de domingo não pode desrespeitar o Código do Torcedor, e o torcedor também, ele que paga ingresso para ver um jogo limpo, sem a entrega que querem nos impingir dirigentes ensandecidos com apoio da crônica indiferente aos males que isso poderá causar ao futebol brasileiro.

Quanto a pilha que a imprensa mete para animar a decisão, não tenho nada contra. A rivalidade no futebol é boa e deve existir, mas não pode etrar em campo para mascarar a decisão do Campeonato Brasileiro, ou de outro jogo qualquer; ela tem que ser direta entre os clubes rivais.
Difícil vai ser a gente segurar o grito de desabafo do torcedor enganado na sua boa-fé, se alguma autoridade não fizer alguma coisa para evitar a manipulação da partida que pode dar o título ao Flamengo. Será que os 192 milhões de torcedores que habitam o País do futebol não merecem uma decisão limpa?