O pesquisador do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnologias do Amapá (Iepa), Patrick Cantuária, identificou 200 espécies de orquídeas no Amapá. Anteriormente, só haviam sido catalogadas 77 espécies, pelo pesquisador fluminense Guido Pabst. O levantamento faz parte da conclusão da tese de doutorado apresentada no mês de março no museu paraense Emílio Goeld.
O estudo foi iniciado em 2013 com o tema “Sinapse das Orchidaceae do Estado do Amapá, Brasil”, realizado por meio de um convênio entre a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade Federal do Pará (UFPA). O trabalho teve como objetivo levantar as espécies dessa família no Amapá, contribuindo com o conhecimento do grupo para a Amazônia e, consequentemente, para o Brasil.


Foram registradas 277 espécies e 90 gêneros, e observados três grandes centros de diversidade: Platô das Guianas, Transição Cerrado-Zona Costeira e Vale do Jari. Apesar do número de espécies ter aumentado consideravelmente – 11 novas – em relação aos dados disponíveis anteriormente o pesquisador alerta que persiste a necessidade de se inventariar novas áreas ainda não conhecidas.
“São poucos especialistas que trabalham com este grupo na Amazônia. Na taxonomia clássica, que faz identificação de orquídeas, é um trabalho considerado difícil, pois temos que esperar a planta florescer e a partir daí comparamos as plantas florais”, explicou o pesquisador.
As orquídeas são as maiores famílias de plantas, sendo aproximadamente 30mil espécies no planeta. No Brasil são 2.400 espécies e a projeção no Amapá é de que haja 500 delas, ou seja, ainda há ampla possiblidade de conhecer novas diversidades, o que viabiliza a prospecção econômica, agregando recursos para o uso da biodiversidade desde a ornamentação até mesmo na produção de baunilha, utilizado em vários segmentos da culinária.
O resultado completo da pesquisa deverá ser publicado até o fim do ano pelo o Iepa. As espécies coletadas foram doadas ao Orquidário Municipal de Macapá que funciona nas dependências da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam). Um orquidário está também em fase de implantação no Museu Sacaca, com previsão de inauguração para o fim do mês de maio.