* Randolfe Rodrigues. Senador, Historiador, Bacharel em Direito, Mestre em Políticas Públicas pela UECE.

A semana que termina nos impõe a necessidade de meditar sobre o sentido da existência.   É por isso que tem um valor universal que ultrapassa os limites da religiosidade cristã.    É o sentido da renascença, da ressurreição.
É assim que diz o meu querido amigo Chico Alencar, que aqui faço
questão de reproduzir: Santa não é uma semana ou alguns dias, marcos da inventada cronologia. Sagrada é toda a existência, sempre: tudo o que pulsa, tudo o que vibra, tudo o que chora e canta, tudo o que viceja e floresce, tudo o que é húmus/humano, tudo o que é Terra. Cosmos Terra, parte da natureza, hoje tão ameaçada como nós, suas partículas. Somos solidão, desencanto, angústia e morte, e somos também possibilidade de ressurreição.  Como indivíduos, como grupos, inclusive políticos, como
civilização?.
Um humano quando gasta seu capital energético, envelhece e morre.   Nos próximos dez bilhões de anos o sol terá exaurido seu estoque de hidrogênio e em seguida de hélio, morrerá como estrela brilhante.
Lentamente será transformada em um buraco negro.   Morrerá carregando consigo muito antes, todo o sistema solar e a nossa Terra.    O universo é movido por estas leis, ditas entrópicas.    Tudo um dia vai desaparecer.
O cristianismo nos oferece uma importante contribuição para a caminhada humana no planeta.  A dialética vida-morte-ressurreição é presente em todos os momentos da nossa trajetória.   À materialidade humana tem uma saudável dimensão sagrada, somos seres em constante formação, em processo continuado de humanização, somos feitos de acertos, erros, ensaios, vitórias, derrotas.   A vida tem valor e nós só temos valor diante da vida!   Ou seja, a Vida é sopro de beleza.   É o maior patrimônio que se recebe.   Ela é necessariamente produção conjunta, social.   Nós somos o resultado da relação com outras tantas pessoas.
A morte é a negação da vida.   O maior pecado do mundo atual é a
produção em série de egoísmos.   Os tempos globais de neoliberalismo move-se pelo individualismo e pela concorrência.    A solidariedade não tem vez.    Não seria este um dos sintomas do esgotamento do atual sistema social?     Seria uma crise conjuntural ou seria estrutural que prepara o desenlace final.
A palavra crise tem a dupla perspectiva de morte e vida.    Crise vem
de kir ou krl, que significa limpar e purificar.   Daí deriva a palavra
crisol, elemento químico purificador do ouro e outros metais, ou
acrisolar, que quer dizer purificar e depurar.   Todo processo de
purificação implica morte e renascimento.   Tudo que passa pela crise
permanece e tem essências que fundam um novo futuro.
A páscoa, em qualquer das religiões monoteístas, busca o mesmo
significado: a morte não tem a palavra final.   Ela é uma das fases do
ciclo dialético, que nos afirma que tudo no mundo muda, nada mais
sugestivo para nós e para o Amapá, hoje.
Por isso tenho fé e crença, na crise, na ressurreição, na Páscoa, na
passagem da morte para a vida, na utopia que insiste em ser teimosa, no sentido revolucionário que tem o Amor.   Nas possibilidades transcendentais da humanidade de construir um mundo novo.