Por Camilo Capiberibe, deputado estadual pelo PSB e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa

Participei hoje do ato contra o aumento da passagem de ônibus e de protesto contra a baixa qualidade do transporte público na nossa capital e contra os constantes atrasos. Apoiei desde o primeiro momento o movimento, sendo inclusive um dos signatários do manifesto com diversas outras entidades como o DCE-UNIFAP, DCE-UEAP a federação dos servidores públicos do Amapá, entre muitos outros. Meu mandato apoiou ainda com sua inserção na juventude.

Curiosamente, quando cheguei à frente da Prefeitura de Macapá fui recepcionado por membros da UJS e da UNE que protestaram, não contra o aumento da passagem de ônibus mas contra a minha presença no ato, mesmo eu o tendo apoiado desde o início. A juventude militante pró-Waldez e pró-Prefeito lutou, e de certa maneira conseguiu impedir que eu me pronunciasse no ato.

Apesar da tentativa de qualificar aquela recepção agressiva como sendo espontânea da juventude, ficou latente que ela partiu de um número reduzido de pessoas que subvertendo a lógica direcionaram suas agressividades a quem luta contra o aumento da passagem, ao invés de canalizar essa energia para aqueles que querem assaltar o bolso do cidadão.

Fica evidente que esses militantes partidários, seguindo orientação e usando a política e os partidos como pretexto, tentaram subverter o objetivo da manifestação que sempre apoiei e que dela participei como parceiro e convidado. Eles colocaram o meu mandato como o foco quando a luta era e é tão simplesmente contra o aumento da passagem de ônibus.

A disputa eleitoral que é o argumento usado: o de que eu estaria querendo fazer um “palanque” só faz mostrar que quem estava por trás eram políticos, afinal é difícil acreditar que os estudantes que querem pagar uma tarifa justa possam rejeitar apoios na sua luta com medo do que se ganha ou perde em termos político-eleitorais: essa é a preocupação dos políticos detentores de mandato e que em função dos seus compromissos não podem ficar do lado do povo e não querem que ninguém fique.

Compreendo as razões e as motivações deste ataque que na verdade começou pela manhã nas rádios, com radialistas questionando o apoio que dou ao movimento, como se eu, como representante da sociedade e da juventude, não pudesse e nem devesse apoiar movimentos legítimos da juventude.

Na hora do almoço os ataques aumentaram pelo canal de televisão BAND que pertence ao deputado federal Davi Alcolumbre do DEM, que era até a pouco tempo Secretario de Obras da PMM. Fui contraditoriamente acusado de apoiar o movimento dos estudantes em função de interesses econômicos que eu teria com as empresas de ônibus. Nada poderia ser mais despropositado: se minha cumplicidade é com as empresas o natural seria desmobilizar o movimento e não apóia-lo, nem muito menos assinar o manifesto.

Depois de tomar conhecimento da campanha contra meu apoio ao movimento postei o seguinte no meu Twitter: “Quero reafirmar q não aceito intimidações. Dep Davi Alcolumbre(DEM) pode mandar sua televisão mentir q ñ vou deixar de apoiar os estudantes”. Talvez eu devesse ter percebido que o movimento estava em escalada e crescendo.

Não foi possível deixar de perceber isso quando cheguei na frente da prefeitura. Não só a calorosa recepção da juventude militante pró-Waldez mas diversas câmeras de televisão que aguardavam para filmar o ataque, e sem dúvida nenhuma usá-lo à farta nos dias que virão.

Apesar desse incidente pude conversar com vários estudantes que estavam lá, ao final, pois decidi me retirar para impedir que as ofensas descambassem para a agressão física pura e simples, que era sem dúvida o próximo passo. O que disse a eles vou usar como conclusão para este desabafo.

Não me intimido com agressões, físicas ou verbais e a juventude não corre o menor risco de perder meu apoio e a minha voz em sua defesa. Continuo à disposição dos movimentos sociais e de reivindicação que precisem de força política, como aliás, sempre estive.