Os tambores das escolas calaram e fizeram esquisito este fevereiro e este carnaval.

Carnaval Meia-boca.

Carnaval sem Piratas da Batucada, Boêmios do Laguinho, Maracatu da Favela, Piratas Estilizados e todas as outras escolas. Fevereiro sem barulho dos ensaios das escolas. Sem alegres e acaloradas discussões entre brincantes e simpatizantes.

Vem de longe nossa tradição de carnaval de escolas de samba.

Que este fevereiro cinzento. Sem cores, sem brilho, sem samba. Seja o fundo do poço de um desfile que vinha capengando nos últimos anos.

E sirva para impulsionar um novo momento dessa festa popular. Onde sejam redefinidos papéis e responsabilidades. Que a D. Liga das Escolas de Samba, volte a ser uma entidade construtiva, e não rasteira e destrutiva. Que as escolas cresçam. Ou desapareçam. Que busquem o nível de quem cresceu, e não queiram rebaixar ao seu tamanho. Que o poder público cumpra o seu papel, de impulsionador da cultura e da economia que roda com a festa. E cobre responsabilidades de quem assume papel de liderança na festa e recursos públicos.

No Amapá o carnaval é no inverno, e não temos nem praia pra ir feriar.

Resta, aos que podem, gastar seu dinheirinho em outro lugar. Ou comprar abadá de bloco, já que não tem a menor graça ser expectador desse tipo de desfile. Ou esperar na terça-feira gorda A Banda passar.

 

Fotos: Mariléa Maciel