Pedro Simon debate 64 com Randolfe Rodrigues

O senador gaúcho, Pedro Simon (PMDB-RS), que viveu os anos de chumbo da Ditadura Militar, se referiu nesta sexta-feira (1/04) ao discurso do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) sobre o 31 de março, data que marca o golpe militar no Brasil. Na ocasião Randolfe defendeu a instalação da comissão da verdade. “Tem um Senador aqui, Randolfe Rodrigues, do PSOL do Amapá, que é um rapaz extraordinário. Desde o seu primeiro pronunciamento, eu disse para ele: olha, rapaz, você vai longe. A cultura, o conhecimento, a capacidade, a liderança, a seriedade, a profundidade”, iniciou Simon seu pronunciamento.

Segundo ele, ao se lançar candidato à presidência do Senado em fevereiro último, Randolfe apresentou uma plataforma que parecia de “um Senador de 70 anos, que estava aqui há 20 anos”, se referindo à maturidade dos posicionamentos do senador amapaense. Simon declarou ainda: “E o carinho que eu tenho por ele é tão grande, que a pretexto do pronunciamento dele eu venho falar. Ele é um jovem. Não sei nem se estava vivo em 64, se já tinha nascido”.

Com essa introdução, um dos mais respeitados senadores da República passou a historiar passagens precedentes ao golpe de 64, citadas por Randolfe no dia anterior. Simon se referia especificamente ao trecho em que Randolfe defendia a idéia de que o ex-presidente João Goulart deveria ter resistido aos militares, o que teria sido “melhor para a história do Brasil”.

Para o senador e historiador Randolfe, se Jango tivesse lutado contra a implantação da ditadura militar, atendendo aos clamores de Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, que liderou o que ficou conhecido como a “cadeia da liberdade”, isso impediria que o Brasil tivesse vinte anos tortuosos na sua história.
“Meu querido Randolfe, falo para ti, que podia ser meu neto, como quem viveu exatamente aqueles momentos participando”, redireciona o debate Pedro Simon. Explica que um dos momentos que definiram aquele período histórico foi o da “cadeia da legalidade” em 1961, referido no discurso de Randolfe.

 

O senador do Amapá foi o único parlamentar a se pronunciar sobre a data no plenário da Casa na quinta-feira (31). Randolfe ressaltou que os acontecimentos de 1 de abril de 1964 devem ser lembrados pelas novas gerações como o período em que a “ordem democrática foi rompida”.

 

Para mais uma vez exigir a instalação da Comissão da Verdade, Randolfe lembrou as vidas perdidas nesse período, os mortos e desaparecidos, além as famílias que até hoje clamam pelo direito de velar seus mortos. “Eu poderia esquecer essa data como muitos esqueceram. Mas venho aqui lembrar as chagas desse período, como aqueles que perderam seus pais, irmãos e filhos nos porões da ditadura. Eles necessitam saber das atrocidades cometidas pelo regime de 1964”. Para o senador a Comissão da Verdade será o ponto final necessário e indispensável para que o Brasil vire definitivamente essa página da sua história política.

 

Assessoria de imprensa