O governo do Estado ampliou o plantão psicológico e de serviços sociais no Hospital de Emergência (HE). O serviço, que era ofertado de segunda a sexta, em horário de expediente, passa a ser realizado 24 horas por dia, permitindo um atendimento mais humanizado na unidade de saúde.

De acordo com o diretor do HE, Waldir Bittencourt, a equipe fará atendimento a pacientes internados e seus familiares, bem como vítimas de violência, e às pessoas que tentaram suicídio. “A atuação 24 horas dessa equipe tem a missão de ajudar pacientes em processos traumáticos, pois a internação mexe muito com o lado emocional das pessoas, uma vez que elas são isoladas do convívio social e familiar. Por isso, é de extrema importância que tenhamos uma equipe completa que trate tanto de doenças físicas como emocionais”, afirma o gestor.

O psicólogo do hospital, Jefferson Melo, frisa que é importante atentar para as reações emocionais das pessoas, para saber, de fato, quais as causas de sua dor, e a partir de então, a unidade oferecerá um atendimento integral. “A pessoa pode dar entrada na emergência fazendo uma referência sobre de dor de estômago, e se não tiver um atendimento integral, os outros profissionais não irão perceber que a causa dessa dor é uma intoxicação, porque a pessoa tomou muito remédio, ou veneno para tirar sua própria vida”, alerta o especialista.

Jefferson também ressalta que o fluxo de atendimento de pessoas que tentam suicídio é maior no turno da noite e durante a madrugada, e por isso houve a necessidade de estender o plantão de 12 horas para 24 horas, para que, assim, seja feito um acompanhamento ainda maior.

Projeto Vida Sim

O projeto vida Sim surgiu com a iniciativa de ampliar os serviços de urgência e emergência através de uma equipe de psicólogos e assistentes sociais, que prestam serviços de pronto atendimento 24 horas para a população. Para que os usuários possam receber atendimento imediato, uma equipe multiprofissional de saúde fica em alerta para fazer o acolhimento de quem necessita, com o objetivo, não apenas de solucionar dores físicas, mas entender as principais causas e o estado psíquico de cada paciente.

Todos os dias muitas pessoas procuram o Hospital de Emergência para realizar procedimentos de pronto atendimento, sejam por lesões provocadas por acidentes, doenças, ou violência. No mês de junho, 22 casos de tentativas de suicídio foram registrados pelo sistema de vigilância da unidade. A faixa etária varia de 13 a 40 anos e em sua maioria são jovens e mulheres.

De acordo com o psicólogo Jefferson Melo, o projeto funciona de forma preventiva, e é importante que haja a disseminação para que a população saiba que existe um serviço que oferece suporte a todas as pessoas que estão passando situação de sofrimento. “Que esse projeto possa se tornar referência para qualquer pessoa que esteja passando por situações de risco, seja qual for a sua causa. O HE é porta de entrada que possibilita a esse paciente um espaço que o ajudará a repensar sobre este ato,” ressalta Melo.

A chefe do setor de serviço social do HE, Alcila Moraes, reforça a importância de ampliar o plantão dos psicólogos e assistentes sociais. “Agora temos uma equipe completa, pois o trabalho assistencial irá articular a rede de serviços, que vai além da emergência, pois quando não conseguimos resolver o problema no HE, procuramos outros locais”.

Depois que as pessoas que tentam suicídio são identificadas e recebem o primeiro atendimento de emergência no HE, elas são encaminhadas para o Centro de Apoio Psíquico Social (CAPS), onde poderão receber maior suporte para o tratamento de possíveis transtornos psicológicos.