Especialistas discutem a conjuntura política local e nacional

Célio Alício Diário  do Amapá

Professores Marco Leal e Daniel Chaves analisaram o cenário político local e nacional

Jornalista Ana Girlene entrevistou os professores da UNIFAP Daniel Chaves, doutor em história e Marco Leal

O programa “Café com Notícias” veiculado diariamente pela Rádio Diário FM 90.9apresentado pela jornalista Ana Girlene entrevistou na quarta-feira (03) os professores da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) Daniel Chaves, doutor em história e Marco Leal, mestre em Desenvolvimento Regional para que efetuassem uma análise da conjuntura política no Brasil e no Amapá, e as polarizações no cenário político nacional entre Jair Bolsonaro (PSC) e Fernando Haddad (PT) e no plano local entre João Capiberibe (PSB), Waldez Góes (PDT) e Davi Alcolumbre (DEM). Tais polarizações têm sido a tônica das eleições gerais a serem realizadas no domingo (07), desde o início do processo eleitoral há pouco mais de um mês.

Cenário nacional

Para os analistas da Unifap, a polarização que caracteriza o cenário da disputa presidencial é conseqüência da crise política e institucional que a sociedade brasileira vem atravessando desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rouseff (PT), ocorrido em 2016 e as manifestações advindas da mobilização popular que dividiu o país entre esquerda e direita sob a égide da operação Lava-Jato que resultou na condenação em segunda instância e na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lulla da Silva (PT) e a emergência de uma candidatura pouco ortodoxa do ponto de vista ideológico e partidário materializada na figura singular do deputado Jair Bolsonaro (PSC), cujo maior mérito foi o de ter capitalizado para sua candidatura o antipetismo manifestado em sua esmagadora maioria por setores da classe média urbana.

Cenário local

No plano local, a análise dos especialistas levou em consideração o desempenho dos candidatos no debate transmitido pela emissora local afiliada à Rede Globo e que deixou muito clara a polarização entre as três principais candidaturas e que assim como a conjuntura da eleição presidencial se delineia e se encaminha para um segundo turno com Bolsonaro e Haddad, também abrem um leque de possibilidades  – e de incertezas – em relação a definições da disputa devido a ausência de pesquisas confiáveis uma vez que a última pesquisa Ibope é datada de 17 de setembro. Com WG, Capi e Davi apresentando pesquisas encomendadas e com números grosseiramente discrepantes entre si, fica difícil para os especialistas uma análise mais apurada em relação ao desfecho do pleito governamental, e mais ainda na disputa proporcional.
Inquietação da sociedade brasileira


Daniel Chaves professor doutor em história da Unifap

Para Daniel Chaves “a grande marca distintiva dessas eleições, sobretudo a da disputa presidencial, é um profundo desgosto pelo sistema político, embora isso não signifique necessariamente que as pessoas não tenham nenhum apreço ou interesse pela política, ou que não sejam políticas e, mesmo que as pessoas não gostem de partidos políticos e que não acreditam no jogo político, ainda assim elas expressam sua vontade, suas opiniões e isso acaba influenciando no jogo de poder e das relações presentes dentro de uma sociedade e, consequentemente, é político. E, nesse contexto, é impossível ser isento, o problema é que algumas pessoas atualmente manifestam visivelmente uma inquietação e uma rejeição em relação ao sistema político, tanto que não é estranho que dentro desse ponto de vista, verificamos algumas pessoas que preferem não fazer parte da democracia e abrir mão da própria liberdade ou de parte dela em função de um governo que de fato funcione. Essa postura reflete inegavelmente um momento de corrosão do sistema político e da democracia, à luz do fato de que os governos mesmo democraticamente eleitos, acabam não representando os interesses da maior parte da população, ou minimamente cumprindo aquilo que originalmente se destinaram a cumprir, a sua plataforma de governo, a sua pauta política. Mas tudo faz parte do jogo político que por sua vez se caracteriza por ter regras muito tácitas”, disse ele.
O baixo nível do debate


Marco Leal professor mestre da Unifap

Quanto à cena política verificada em nível local e considerando o debate de quarta-feira (02) transmitido pela Globo local, segundo o professor Marco Leal, “a população conhece bem esses modelos que se confrontaram no debate televisivo, sobretudo os modelos representados por Capi e Waldez Góes e que somados totalizam praticamente 24 anos de mandatos alternados entre PSB e PDT, sendo 12 anos e 3 mandatos para cada lado, e são portanto, modelos já testados e sentido pelo eleitorado. No debate, ambos curiosamente trouxeram à tona aspectos onde eles falharam em seus modelos de gestão, e Davi Alcolumbre, que embora se apresente como novidade já é um político rodado, experiente e de carreira em mandatos proporcionais, uma vez que foi vereador, deputado federal por dois mandatos e atualmente senador, e adotou por estratégia se posicionar à margem da polarização para poder criticar à vontade os modelos já testados e que segundo ele não trouxeram o desenvolvimento político, econômico e social para o estado e tentando mostrar um outro caminho. E curiosamente os fatores intrínsecos ao plano federal não foram colocados sob discussão no âmbito local e, nesse sentido, o candidato Cirilo (PSC) não conseguiu imprimir a marca da insatisfação ou do mau humor do eleitor em relação ao establishment e ficou como uma espécie de coadjuvante, à margem das discussões estabelecidas pelas três principais candidaturas em disputa, sem a capacidade de capturar para si a insatisfação popular diante da conjuntura política verificada no plano nacional ou, no plano local, colocar os candidatos do PSB e do PDT como os responsáveis pelos principais problemas enfrentados pelo estado, finalizou o professor.