Dois são presos por suspeita de desvio de verba de índios no AP

 

JEAN-PHILIP STRUCK
DE SÃO PAULO

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (7) em Salvador (BA) dois sócios de uma empresa de consultoria suspeita de participar de um esquema de desvio de recursos da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) que seriam usados no tratamento de saúde de povos indígenas do Amapá.

As prisões foram efetuadas em cumprimento a uma decisão judicial expedida pela 2ª Vara Federal do Amapá.

Quatro são denunciados por suspeita de desvio de verba a índios

Os presos, Henry Willians Rizzard e Andréia Fernandes Gonçalves, são sócios da AFG Consultores, uma empresa de consultoria ambiental.

De acordo com o Ministério Público Federal no Amapá, em 2008 a empresa recebeu R$ 650 mil por serviços de consultoria para a Apitu (Associação dos Povos Indígenas do Tumucumaque), que promove ações em educação e saúde no Amapá e havia recebido o valor da Funasa.

Segundo a Procuradoria, a empresa recebeu o dinheiro, mas nenhum projeto foi elaborado.

Na segunda-feira (4), o Ministério Público Federal denunciou os dois sócios, o presidente da Apitu e um coordenador da associação sob a acusação de estelionato e peculato (desvio de verba pública).

De acordo com a denúncia encaminhada à Justiça, parte dos valores acabou sendo destinada ao comitê do PMDB em Santana, município vizinho a Macapá.

Um inquérito da Polícia Federal ainda está em andamento e pode determinar se o dinheiro foi usado por candidatos nas eleições municipais de 2008.

Segundo a PF, os suspeitos presos na Bahia foram levados para a superintendência da corporação em Macapá. O órgão não soube informar quem é o advogado dos sócios.

A reportagem tentou entrar em contato com a AFG e a Apitu, mas ninguém foi encontrado. O mesmo aconteceu no diretório estadual do PMDB no Amapá.