Após entrega de diploma no Senado, Capiberibe diz que TSE é Tribunal de Exceção

 

O senador João Capiberibe (PSB-AP) entregou hoje, 16, seu diploma à Mesa Diretora do Senado. Com isso, o presidente de Senado, José Sarney, (PMDB-AP) tem 5 sessões para dar posse ao senador.

Após a entrega do diploma, Capiberibe falou com a imprensa.

P – Qual o significado político do seu retorno ao Senado?

João Capiberibe – Depois de seis anos exilado internamente – porque considero a minha cassação um segundo exílio – eu vejo que houve um bom senso na decisão do Supremo, pois ele, mesmo com muito atraso, respeitou a Constituição e não permitiu a mudança das regras do jogo com o jogo em andamento. Para a democracia, é um passo importante nos devolver ao Parlamento, com a disposição de luta que nós temos. Isso uma mandato a  serviço da coletividade. Nós fomos eleitos a baixíssimo custo; portanto, vamos poder defender ideais coletivos e temas que são decisivos para o nosso país, como as questões ambientais, das minorias indígenas, da Amazônia, dos trabalhadores rurais sem terras, dos assassinatos no campo e da transparência política e controle social.

P – O senhor se sente injustiçado?

Capiberibe – Este é um problema de um país sem cultura democrática. A última ditadura acabou em 1985, mas o resíduo dela permanece. Então essa “judicialização” do processo eleitoral é uma característica do autoritarismo brasileiro. Não há uma confiança no eleitor, nem na democracia. Também há outro problema grave, que é a impunidade. As leis não são feitas para todos; as elites deste país têm o privilégio das benesses da lei. Em conseqüência, a sociedade se exaspera e exige criação de novas leis, às vezes draconianas e, de repente, surgem esses movimentos para que se façam tais leis, como a lei da Ficha Limpa, que terminou modificando o jogo no segundo tempo da partida. As eleições do ano passado foram marcadas por essas improvisações.

P – Mas a Lei da Ficha Limpa não foi uma exigência da sociedade pela ética na política?

Capiberibe – Sim, ela surgiu de uma exigência da sociedade pela moralidade, pela ética na política. Só que se esquece de que já existem leis suficientes para isso neste país. O problema está na aplicação das leis, pois as elites, como eu já disse, são dispensadas de cumprir a lei. A lei se aplica de maneira diferente para o povo e para as elites. Isso é danoso para democracia e é danoso para formação política do país.

P – Mesmo assim, não é ruim ser identificado como um parlamentar que foi beneficiado pela suspensão da Lei da Ficha Limpa?

 

Capiberibe – Considero que isso faz parte da luta política. Esta não é a minha primeira cassação. Durante a ditadura, tive cinco anos de cassação dos direitos políticos e seis anos de prisão. Naquele momento, nós tivemos uma derrota pela opção de luta que fizemos. E agora, na democracia, perdi por uma armação bem engendrada. Eu não tenho dúvida de que, assim como o Tribunal Militar que me condenou em 1971, o TSE é um tribunal político e de rara existência nas democracias ocidentais. Eu tenho a impressão que só existe no Brasil. Trata-se de um tribunal de exceção. E uma lei que permite que o adversário político persiga o vitorioso, termina promovendo o que aconteceu comigo e com a deputada Janete. Fomos condenados e assim está no acórdão de 2004 do Tribunal Superior Eleitoral que cassou nosso mandato com base em duas testemunhas que nos acusaram de comprar dois votos por R$ 26,00, pagos em duas parcelas. Isso para o juiz do TSE foi suficiente para cassar o mandato de um senador e de uma deputada federal, que eu considero uma agressão à democracia e à vontade popular.

P – Como será sua convivência no Senado com o seu principal adversário político, o senador José Sarney?

Capiberibe – Tenho divergência com o Sarney há muitos anos. Ele foi presidente da Arena, partido da ditadura militar, no mesmo período em que fui preso. Temos, sim, divergências políticas quase impossíveis de se conciliar, mas a convivência é possível. Não terei dificuldades em ter uma convivência tranquila com ele no Senado.

 

Julio Moreira

ExLibirs Comunicação Integrada

Foto: Sizan Luis Esberci

  • Aplausos para o NOSSO senador.Aplausos pelas respostas bem dadas na entrevista,uma TACA na tal democracia deste país que beneficia as “elites” e esquece o “povão”, que é maioria e que elege os donos do poder e das leis descumpridas,que favorecem as elites.Vergonha para os nossos tribunais,em especial o TSE,chamado inteligentemente por Capi de “tribunal de exceção”.A democracia deste país é rasgada ao sabor dos “entendidos” em leis.Vergonha tb para um senador eleito pelo Amapá e que seu prazer, é trabalhar contra este estado.Vergonha para um “tapetão” que se manteve ardilosamente no mandato conquistado por outro,apadrinhamento oportunista e de conchavos.Diria mais coisas que repgno,mas nosso povo conhece os bastidores da nossa “dita democracia”,pois assistimos todos os dias, a vergonha que acontece na capital do país e que se espalha Brasil à fora.Vergonha que nos faz acreditar, que o “crime” compensa,que o “errado” é que tá “certo”.Enfim,parabéns Capi e Janete,voces são heróis de nossa história, e do Amapá de um povão sofrido mas guerreiro que lhes diz “sejam sempre bem-vindos”,vcs merecem o lugar que ocupam na história.

  • O Capi não faz o joguinho da bajulação como os outros políticos daqui do Amapá fazem. Ele diz o que muita “otoridade” não gosta de ouvir e por isso adquiriu muitos inimigos ao longo de sua trajetória política. Parabéns, Capi!

    • É verdade,os Capiberibes são pessoas responsáveis e éticas,não precisam de bajulações.A imprensa irresponsável e comprada daqui acostumou com os erros do passado e choram a viúves,espalhando aos quatro ventos(rádio,jornal e televisão),que Camilo foi pedir benção ao Sarney,pior,encontram aplausos insanos à esta noticia fantasiosa,repleta de uma baita dor de cotovelo.Camilo foi sim ao encontro de Sarney,não para pedir favores,mas para fazer com que ele como senador eleito pelo Amapá,cumpra com suas obrigações ao estado e seu povo,fato.

  • Os eleitores amapaenses esperamos que o senador Capi ajude o senador Randolfe a melhorar a imagem do Amapá no cenário nacional.

  • Prefiro ser dotado de ingenuidade do que ficar suspirando frases do tipo “eu era feliz e não sabia!”, dos que se sentem órfãos – ou viúvos do regime político anterior, idade das trevas e da bajulação de quem se locupletava com o dinheiro público que deveria ser investido em melhorias para a sociedade amapaense. Quem diz não gostar do Capi poderia ao menos reconhecer sua importância e coragem ao desafiar lideranças que pouco ou nada fazem pelo Amapá, a não ser dilapidar nossas riquezas e auto estima. Capi e Randolfe irão, com toda certeza fazer uma dobradinha muito interessante em torno dos reais e urgentes interesses do Amapá. Quanto ao coral dos descontentes, resta aderir à moda daqueles que que tomados por “visões” divinas, são chamados a criar ministérios apostólicos” em galpões de esquina pelo retorno da quadrilha que acabou com o estado. Sentem falta da PF prendendo gente e o circuito midiático bombando o Amapá como o “Paraíso dos Corruptos”.Que bonito. 2002-2010,nunca mais,e,ano que vem, não vai ter Mucajá que faça essa turma voltar ao poder, isto é, se as pessoas forem sensatas ou tiverem um pouco de vergonha na cara. Parabéns Capi, quem votou em vc está de alma lavada. A consciência tranquila há muito tempo já estava, bastando para tanto comparar seu governo com os restantes.

  • Para a turma das viúvas da harmonia quero dizer que, quem fica sem mandato não é considerado político, passa para a classe dos “cabos eleitorais”, é assim que o sr. Gilvan passa a ser conhecido depois que Capi tomar posse no senado.
    Vejam só, o Capi foi cassado porque “teria comprado 02 votos” de destemunhas semi-anafalbetas” que foram ao Cartória fazer “uma declaração” para apresentar na justiça, aí deu no que deu, não é …
    Agora o cassado é outro com uma dimensão real, limpa, democrática do povo que teve a coragem de cassar o todo poderoso sr. Gilvan, que apartir de agora, como cassado, vai poder deitar em sua rede de mais de 300 emissoras de rádio espalhadas aqui no Amapá, Pará, Maranhão, Matogrosso e Rondonia.
    Que vergonha seu Gilvan, você usou o hino do Amapá para enganar a todos nós.
    Agora o cassado é você, mas, pelo voto de pessoas limpas e honestas que é o nosso povo.
    Parabens ao povo do Amapá.
    Quanto as viúvas elas devem continuar, as familias a ajudarão a viver com honestidade daqui para frente …

  • Meus amigos viver sem mandato é difícil, você passa a ser chamado de “cabo eleitoral”.
    É assim que o Gilvan vai ser considerado.
    Agora ele pode ter tempo para estudar, aprender política, conviver com problemas, entender como funciona a sociedade e tentar a reconstruir sua carreira política de modo limpo, descente, humilde e não usando o HINO DO AMAPÁ para enganar o nosso povo.

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