Sérgio Burocrata *

 

As excelências estão dando provas de que o Presidente francês Charles de Gaulle tinha razão, pelo menos em parte. O parlamento do Brasil não é de um País sério. Enquanto o MP e o Judiciário se ocupavam em denunciar a condenar a patuléia, o andar inferior da sociedade e o famoso tripé, PPP (preto, puta e pobre), as excelências do Legislativo nunca cogitaram em subtrair poderes do MP e do STF. Bastou que meia dúzia de aloprados fosse ameaçada de passar algumas noites no xilindró que veio a retaliação, na forma de aprovação da PEC 137, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. Pasmem.

As excelências querem um país com plena impunidade, onde se possa locupletar a vontade. Sabemos todos que das atividades ilícitas de que o Brasil é vítima diariamente, a roubalheira dos cofres públicos em todos os níveis de Governo é a mais acintosa e lucrativa. Nem mesmo as organizações criminosas que operam o narcotráfico e o contrabando de armas rendem tanto e tem nível gerencial tão bem acabado.  Quem opera o desfalque? A mídia está aí para comprovar.

Quase 100% da gatunagem é feita por prepostos indicado pelas excelências, que depois de incrustados nos cargos públicos, não se importam em fazer o trabalho sujo e meter as mãos criminosamente no dinheiro do povo. Grande parte desses apaninguados, se submetidos a qualquer recrutador sério de RH, não seriam recomendados nem a gerenciar um carrinho de pipoca, por evidentes tendências a infringir o sétimo mandamento e afrontar o Código penal de cabo a rabo. São destemidos, esperto, articulados e acima de tudo crentes da impunidade e da lerdeza associadas às decisões judiciais, fruto de intermináveis recursos previstos nas leis e normas, que afinal foram gestadas pelas excelências aparentemente com esse propósito.

Mas, ao que parece não basta mais a escandalosa impunidade é necessário esconder e escamotear os malfeitos, como diz a presidenta Dilma. Por isso as excelências querem cortar o mal pela raiz: vamos investigar o que nos interessa investigar,quando investigar, quem investigar e por quem se investigar. Passada a PEC 137, quem garante não que as excelências não Irão aprovar outra armação tipo, por exemplo, a Bolsa Impunidade, onde quanto maior for o crime de colarinho branco, claro, mais impunidade e benefícios o figurão terá direito. Dizem que informalmente a Bolsa já existe e beneficia algumas figuras carimbadas da política e seus prepostos e familiares. O Amapá é um exemplo bem acabado dessa situação. A Polícia Federal gastou toneladas de papel e muitas operações foram feitas, poucos denunciados, quase nenhum indiciado e nenhum condenado. O saudoso Ulisses Guimarães, do alto de sua expertise, já alertava aos que reclamavam da qualidade do parlamento constituinte. Costumava dizer “Esperem o próximo”. Quem viver verá.

*É servidor do ex-território regredido, ou seja, está entre a mais nova classe funcional do Amapá os 1400 que tiveram ascensão funcional No Governo Barcellos.